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quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Questões Conflitos Oriente Médio, Africa e Ásia

1 – (CESPE 2012) Das ruas de Túnis à Praça Tahir e mais além, os protestos desencadeados em todo o mundo em 2011 nasceram na Internet e nos diversos recursos que permitem interagir com ela.
O Estado de S.Paulo, 6/1/2012, p. A13 (com adaptações).

Considerando o fragmento de texto acima e que a Internet é um dos fatores constitutivos da era da informação e do conhecimento que caracteriza a contemporaneidade, assinale a opção correta.

a) Em virtude de a ciência ser, por definição, área incólume a ideologias, a tecnologia que ela gera não propicia suporte a manifestações políticas ou doutrinárias.
b) A primavera árabe, manifestação que afastou o islamismo da esfera política, foi um dos movimentos populares que empregou diversas tecnologias na luta contra regimes ditatoriais.
c) As primeiras manifestações vinculadas ao uso da rede mundial de computadores como instrumento de ação política datam da guerra fria, sobretudo por ocasião da crise dos mísseis em Cuba (1962).
d) A Internet consiste em importante instrumento político nos dias atuais, porque, entre outras razões, mostra-se imune à censura e a bloqueios de regimes autoritários.
e) Na atualidade, a tecnologia contribui para a ampliação das manifestações políticas contra regimes autoritários, constituindo em importante instrumento para a conquista de liberdades básicas.


domingo, 18 de agosto de 2013

Egito

Crise no Egito : Pouco mais de um ano após tomar posse, presidente é deposto


Carolina Cunha - Do UOL, em São Paulo02/08/201312h00


3.jul.2013 - Praça Tahrir, no Cairo, Egito, tem fogos de artifício após declaração do chefe das Forças Armadas, general Abdel Fattah al-Sisi, da destituição do presidente Mohamed Mursi

Depois da renúncia do presidente Hosni Mubarak, em 2011, motivada por intensos protestos no país contra seus 33 anos de governo, e de eleger um novo presidente, Mohamed Mursi, a instabilidade política voltou a abalar o Egito no início de julho de 2013. Mursi foi deposto pelas Forças Armadas e foi substituído temporariamente pelo presidente da Suprema Corte Constitucional, Adly Mansour, 68. A Constituição também foi suspensa.


EGITO EM TRANSE


Entenda as crises no Egito

Antecedendo a deposição do presidente, milhares de manifestantes voltaram às ruas das principais cidades do Egito pedindo a saída de Mursi do poder, entrando em conflito com policiais e apoiadores do governo. No Cairo, o epicentro das manifestações foi a praça Tahrir, que reuniu a maior manifestação popular desde a queda de Mubarak.

Mursi foi levado para um local isolado, dentro do Egito, onde não pode se comunicar com o mundo externo, mas tem acesso a jornais e televisão. O viés islâmico do governo levou ao descontentamento de parte a população que o elegeu com maioria dos votos (51,7%) nas eleições de junho de 2012. Apoiado pelo partido Irmandade Muçulmana (grupo do qual se originou a facção muçulmana Hamas), Mursi foi o primeiro presidente islamita do Egito. O grupo acusa os militares de reverterem o movimento de revolta que conduziu o Egito à democracia.

Veja 21 datas para entender os conflitos do Oriente Médio

A relação entre o governo e a população não islâmica começou a ficar mais delicada em dezembro de 2012, devido a dois episódios. No primeiro, Mursi elaborou um decreto para dar maiores poderes a si mesmo. Entre os tais poderes, o decreto concedia a ele decisões de imunidade judicial e impedia as cortes de dissolver a assembleia constituinte e a câmara alta do Parlamento. A decisão foi alvo de muitos protestos, obrigando-o a recuar.

No mesmo mês foi aprovada a nova Constituição do país, com 63,8% dos votos. O comparecimento às urnas foi baixo, e a maioria de votantes era de seguidores do partido Irmandade Muçulmana. A partir daí, a situação ficou delicada para o novo presidente, que deu pouco espaço aos militares em seu governo e não tinha neles grandes aliados.

Outro fator que pode ter colaborado para a deposição de Mursi é uma acusação por conspiração apresentada pela Procuradoria Geral do Egito. Ele teria agido em conjunto com o grupo militante palestino Hamas e homicídio durante sua fuga da prisão em 2011, o que deixou 14 guardas mortos.

Rico em petróleo, o Egito é o país árabe mais populoso, com pouco mais de 82 milhões de habitantes, e embora a maioria da população seja muçulmana, há grupos de cristãos e de cristãos coptas. Tais grupos protagonizaram violentos confrontos em 2012, devido às diferenças religiosas e à discriminação dos cristãos.
Novo grupo de manifestantes

A maior parte dos manifestantes que pedia a saída de Mursi integra um novo grupo popular no país, chamado de Tamarod. A palavra significa 'rebelde' em árabe.

Até junho deste ano, pouco antes da deposição de Mursi, o grupo alegava ter recolhido cerca de 22 milhões de assinaturas pedindo a saída do presidente do poder. O grupo deu um ultimato para que ele deixasse o cargo no início de julho ou iniciariam uma onda de protestos violentos no país.

Com páginas em redes sociais, o grupo tornou-se figura presente em todos os protestos, se manifestando em semáforos e bloqueando ruas para entregar petições. Entre as reclamações contra Mursi estavam: a falta de segurança desde a revolução de 2011, o pedido de empréstimo de US$ 4,8 bilhões (cerca de R$ 10,7 bilhões) feito ao FMI (Fundo Monetário Internacional) para sanar dívidas públicas, a falta de justiça para os mortos pelas forças de segurança durante os confrontos e a ideia de que o Egito estaria seguindo a cartilha dos Estados Unidos.
Governo transitório e o futuro político

No dia 16 de julho de 2013, Adly Mansour, presidente interino do Egito, empossou seu gabinete provisório. O novo governo é liderado pelo primeiro-ministro Hazem el-Beblawi, tendo como vice o general Abdel-Fattah el-Sissi, que acumula o cargo de ministro da Defesa desde o governo Mursi. Na composição do gabinete, nenhum representante da ala islamita foi chamado.

Para o cargo de vice-presidente interino, Mansour nomeou Mohamed El-Baradey, derrotado nas urnas por Mursi e que se tornou líder da oposição ao governo. A composição de um governo provisório não cessou os protestos nas ruas. Os confrontos entre os apoiadores islâmicos e as Forças Armadas chegaram a deixar 50 mortos em uma só noite. Ainda é esperado do novo governo o anúncio dos principais pontos para elaborar a nova Constituição e de um cronograma para novas eleições presidenciais.
Entenda a crise no Egito

O país vive um clima de instabilidade política há pelo menos dois anos e meio, desde a renúncia do presidente Hosni Mubarak, em 11 de fevereiro de 2011, após 33 anos de um governo ditatorial, onde o presidente era escolhido pelos militares.

A renúncia foi resultado de uma revolta popular que ocupou as ruas das principais cidades do país. Nas duas semanas que antecederam a renúncia de Mubarak, cerca de 300 pessoas morreram em confrontos com as forças de segurança durantes as manifestações.

Mubarak foi o segundo presidente dos países da Primavera Árabe, termo criado para agrupar os países cuja população foi a rua protestar contra governos ditatoriais e que estavam há décadas no poder, a cair. Zini El Abidine Ben Ali, presidente da Tunísia, onde as manifestações tiveram início, foi o primeiro a cair fugindo do país.

Em um discurso um dia antes da renúncia, Mubarak transferiu seus poderes para o vice-presidente, Omar Suleiman, e afirmou que não disputaria as próximas eleições.

Após um longo julgamento com a saúde debilitada –Mubarak chegou a comparecer ao tribunal numa maca-, ele e seu ex-ministro do Interior, Habib al-Adly, foram considerados culpados e condenados à prisão perpétua em 2012 acusados de serem cúmplices no assassinato dos manifestantes. Depois de apelarem, no início de 2013 a justiça garantiu a eles o direito a um novo julgamento que deve acontecer em agosto.

A crise provou uma queda no turismo do país, conhecido pelas famosas pirâmides, como as de Gizé e a Grande Esfinge, e as múmias no Museu Egípcio do Cairo. A melhora do setor, que estava sendo projetada para o primeiro semestre de 2013, foi novamente abalada com nova crise.

DIRETO AO PONTO

O presidente do Egito Mohamed Mursi foi deposto do governo pelos militares no dia 3 de julho de 2013, após ficar pouco mais de um ano no poder. Mursi era o sucessor de Hosni Mubarack, que governou o país durante 33 anos e renunciou devido aos protestos populares em janeiro de 2011.

Mursi foi deposto depois que um grande número de manifestantes saiu às ruas do país pedindo sua saída decido ao viés islâmico que ele estava dando ao governo.

No dia 16 de julho de 2013, Adly Mansour, presidente interino do Egito, empossou seu gabinete provisório, que governará o país até que novas eleições e os pontos principais para a elaboração da nova Constituição sejam anunciados.

Bibliografia
Paz e Guerra no Oriente Médio: A Queda do Império Otomano e a Criação do Oriente (Contraponto): livro do historiador David Fromkin que conta a história da formação dos países árabes, essencial para entender o panorama político atual na região.
O Atlas do Oriente Médio - O Mapeamento de todos os conflitos (Publifolha): livro escrito por Dan Smith que explica as guerras no Oriente Médio desde o Império Otomano até os dias atuais, contextualizando os confrontos na política internacional.



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“Não se trata mais de ser pró ou contra Morsi, mas de ser pró ou contra a humanidade.”



Uma ativista egípcia reflete sobre a violência crescente em seu país.
Este texto foi publicado originalmente no site DW.


Em meados de 2012, a ativista egípcia Nihal Saad Zaghloul iniciou o Movimento Bassma (“estampa”, ou “marca”, em árabe) para ajudar a acabar com casos de assédio sexual e agressão nas ruas do Cairo.


Em entrevista à DW, ela diz agora que os resultados dos atuais massacres só irão trazer mais sofrimento e violência às ruas e que os manifestantes islâmicos não deverão permanecer nas prisões, como aconteceu na década de 1990.


Eles continuarão a lutar e procurarão vingança, afirmou a ativista, dizendo que seu grande medo é que uma guerra civil se instaure no país. Abaixo, a íntegra da entrevista.


Como você vivenciou os acontecimentos de seu quarto no centro do Cairo, a apenas 10 minutos da praça Rabaa al-Adawiya, onde estava o maior acampamento de protesto da Irmandade Muçulmana?


Acordei com tiros e pessoas gritando na rua que o Exército estava atirando nelas. As pessoas estavam correndo, gritando e chorando. Então comecei a checar [as redes sociais] o Facebook e o Twitter. Foi quando eu soube que o Exército e a polícia estavam atacando – eles começaram às 6h. Por volta das 7h, eles já haviam evacuado completamente o acampamento na praça al-Nahda [outro grande acampamento], e eles ainda estavam tentando dispersar o protesto na praça Rabaa, que fica bem próxima da minha casa. Liguei para os meus amigos e eles disseram que se tratava de um segundo massacre, e que os atiradores estavam disparando sobre eles. E eles me disseram que estavam cercados.


Em resposta à remoção violenta dos acampamentos em Nahda e Rabaa nas primeiras horas da manhã da quarta-feira (14/08), a Irmandade Muçulmana pediu protestos de solidariedade nas ruas nesta quinta. Sua casa fica a apenas 10 minutos do acampamento Rabaa. O que você viu de sua janela?


Havia manifestantes vindo de todos os lados. Assim que as pessoas corriam em direção à minha rua, elas eram alvejadas, de forma que tinham que voltar e não puderam ajudar as outras pessoas no acampamento. O Exército começou a disparar gás lacrimogêneo sobre eles, então alguns deles começaram a pegar pedras e jogá-las na polícia. Os policiais responderam com gás lacrimogêneo, balas de borracha e munição letal.


Enquanto isso, a evacuação do acampamento na praça Rabaa al-Adawiya continua. Que notícias você pôde obter de seus amigos que ficaram presos lá dentro?


Até agora, os irmãos de dois velhos amigos da universidade foram mortos. Um deles tinha 19 anos e o outro era da minha idade, acredito que tinha vinte e poucos anos. Eles foram mortos. Eles não eram terroristas. Eu os conhecia muito bem, eu conheço a família deles. Nós comemos juntos, nós trabalhamos juntos, nós fazemos trabalho voluntário para fazer essa sociedade melhor. Eles não mereciam ter morrido daquela forma.


Você postou uma mensagem no microblog Twitter dizendo que “não se trata mais de ser pró ou contra Morsi. Trata-se, agora, de ser pró ou contra a humanidade.” O que você quis dizer com isso?


Muitas pessoas estavam justificando [a morte de apoiadores da Irmandade Muçulmana]. Mas as pessoas em Rabaa eram seres humanos, eles não eram terroristas, não eram pessoas que praticaram qualquer tipo de vandalismo no passado. Nós não devemos puni-los pelos erros dos outros. Eu não estou dizendo que os manifestantes islamistas fizeram tudo certo, mas ao mesmo tempo eu não posso penalizar alguém pelo crime de outra pessoa. A generalização de que “todos eles são maus” é o que está nos metendo nessa confusão. Quando você vê outro ser humano sendo morto, você não para e pergunta: “Qual a filiação política dele?”, “A que religião ele pertence?”, antes de você decidir se vai ajudar ou não. Era isso que eu queria dizer.


Mesmo sendo uma muçulmana que usa o véu, você criticava o presidente Mohamed Morsi e sua política. Você ficou contente quando a intervenção militar resultou em sua expulsão, no mês passado?


Não. O que eu esperava era que as pessoas iriam derrubá-lo politicamente. Nós estávamos pressionando o governo para que antecipasse as eleições parlamentares. Uma vez que o Parlamento tivesse sido eleito, podia-se fazer pressão sobre ele – sobre os representantes – para retirar Morsi. Era possível ter tido um Parlamento, uma Constituição e tudo mais. Se fomos capazes de mobilizar todas aquelas pessoas em 30 de junho, então teríamos sido capazes de mobilizar pessoas para eleger os candidatos delas.


Você é ativista e protesta há vários anos. Quando você começou a protestar na praça Tahrir, durante a Primavera Árabe em 2011, qual eram as suas esperanças?


Eu ansiava por uma vida melhor, eu ansiava por igualdade, desenvolvimento social e justiça. Essa era a minha esperança.


E onde estão essas esperanças agora?


O resultado desse massacre só vai trazer mais sofrimento e violência às ruas. Violência gera mais violência. Não se pode corrigir um erro com outro erro. Se pensarmos que a Irmandade Muçulmana ou os islamistas voltarão para as prisões, como aconteceu na década de 1990, então estamos errados. Eles continuarão a lutar, e muitas outras pessoas irão morrer.


O que me amedronta é o terrorismo real que virá após o massacre. Gostemos ou não, nós não podemos exterminá-los e muitas pessoas irão querer vingança. Nos últimos 30 anos, o Egito tem sido governado pela força, não pela lei. No Egito, todos – os políticos e os apoiadores desses políticos – estão armados. Haverá uma nova guerra. Tenho medo de uma guerra civil. Eu quero que esse derramamento de sangue chegue ao fim, mas eu não sei como isso vai acabar agora.



fonte: http://www.diariodocentrodomundo.com.br/nao-se-trata-mais-de-ser-pro-ou-contra-morsi-mas-de-ser-pro-ou-contra-a-humanidade/

terça-feira, 20 de março de 2012

Primavera Árabe - Síria

A atual Siria fazia parte da Mesopotâmia, importante civilização que se desenvolveu no Oriente Médio, nos vales entre os rios Tigre e Eufrates por volta de 8000 a.C.

A partir de 1700 a.C, passou a fazer parte do Império Babilônico. Sempre sofrendo invasoes e por vezes sucumbindo ao poder de outros povos. O apogeu do Imperio Babilonico aconteceu no seculo VI a.C e, em 539 foi dominada pelos persas, que expandiram seu imperio unificando grande parte do Oriente Médio, indo em direção à Grecia, com quem gerreou durante anos, mas não obteve vitória.
 Entretanto, ambos foram conquistados por Alexandre, o Grande, e estiveram entre 300 e 100 a.C sob domínio dos macedônios.  A partir de 100 a.C, foram incorporados ao Império Romano.

Com o colapso do Imperio Romano, foi  dominada pelos turco-otomanos no seculo XV, formando o Imperio Otomano. Após a Primeira Guerra Mundial, em 1918, passou a ser uma possessão francesa, através dos tratados assinados na Liga das Nações.

Em 1946 a Siria consegue sua independência, implantando uma republica parlamentarista.Em 1964, o Partido Baath, de orientação socialista e nacionalista, assume o poder, monopolizando-o desde então.

O conjunto de comunidades étnicas e religiosas que constituem o país, tanto muçulmanas como cristãs, assim como o ressurgimento do integralismo islâmico, criaram situações difíceis ao presidente Hafez al-Assad, de orientação laica e socialista, no poder desde 1971. Foi reeleito em 1980 como secretário-geral do Baath, o que reforçou seu poder.

No mesmo ano, um tratado de cooperação com a União Soviética deu a al-Asad o papel de representante dos interesses soviéticos na região e lhe permitiu contar com sofisticado armamento de origem soviética. Simultaneamente à crescente deterioração das relações com Israel, a Síria passou a controlar militarmente o norte do Líbano, onde sustentou encontros com as forças de Israel e se opôs a presença de forças americanas. A Síria se caracterizou, durante a permanência de suas tropas no Líbano, pela sua oposição a todos os planos de paz dos Estados Unidos para o Oriente Médio.

A Síria é uma república parlamentar onde impera a ditadura militar, ou seja, o chefe do estado é também o  General do Estado Maior e Chefe Supremo das Forças Armadas. Os cidadãos votam desde 1970 por um presidente e deputados duma lista única organizada pelo partido Ba'ath, unico partido no poder. O president Hafez al-Assad foi "eleito" desta forma para cinco mandatos consecutivos e, com a sua morte, o seu filho Bashar al-Assad foi escolhido para o suceder e confirmado por um "referendo" em Julho de 2000.

"O começo de seu mandado foi marcado por uma esperança de mudanças democráticas, que foi frustrada com a continuidade da política de seu antecessor. Ante à ameaça da ideia de guerra preventiva levada a cabo pela administração norte-americana, a instabilidade do Líbano, na qual a Síria mantinha uma forte presença militar e as constantes tensões com seu vizinho Israel, Bashar al-Assad procurou manter um discurso reformista que poderia satisfazer os anseios da União Europeia e dos Estados Unidos, mas que na prática não produziu nenhuma concessão ao movimento de oposição do país. A forte pressão internacional sobre Bashar al-Assad após a morte do ex-primeiro-ministro libanês Rafik Hariri, cuja autoria foi atribuída aos serviços de inteligência sírios, fez com que as tropas mantidas no Líbano fossem retiradas.

Bashar al-Assad foi reeleito em um referendum convocado no dia 27 de maio de 2007 onde conseguiu 97% de aprovação, mas ele concorreu sozinho. No dia 25 de junho de 2010, iniciou uma série de viagens pela América Latina, visitando Cuba, Venezuela, Brasil e Argentina.

Em 2011, frente a vários protestos no mundo árabe por reformas democráticas, o governo de al-Assad prometeu abrir mais a política do país para o povo. Porém frente a lentidão dessas mudanças, ou o não cumprimento da promessa, opositores ao seu regime começaram uma série de protestos pedindo a derrubada do Presidente, que respondeu aos manifestantes com o envio de tropas do Exército à areas de protesto. A violência da repressão do governo fez com que vários países pelo mundo, como os Estados Unidos, Canadá e União Européia adotassem sanções contra a Síria."




terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Primavera Árabe - Líbia



Antigo assentamento de fenícios, romanos e turcos, a Líbia permaneceu como colônia romana até 455, vindo depois a ser dominada pelos árabes a partir de 643. Em 1551 a região foi incorporada ao Império Otomano, fixando-se o poder central na atual capital, Trípoli. Entre 1911 e 1945, esteve sob dominação italiana, período em que houveram grandes avanços na infra-estrutura do país. Após a II Guerra Mundial, foi controlada pelo Reino Unido e pela França. Obteve sua independência em 1952, através de uma resolução da ONU.

Assume o poder o líder religioso, estabelecendo uma monarquia de cunho autoritário e destituída de representatividade popular. A partir desse momento, a Líbia de aproxima dos EUA e da Inglaterra, permitindo a construção de bases militares em seu território. Estabelece boas relações também com os países árabes, sendo admitida em 1952 na Liga Árabe.

Em 1961, são descobertas as grandes jazidas de petróleo, e o governo líbio exigiu a retirada das forças estrangeiras, surgindo, então, sérios conflitos políticos com as duas potências e com o Egito.

No final dos anos 1960, movimento liderado por militares islâmicos derrubam a monarquia e implantam a República Árabe Popular e Socialista da Líbia, mulçumana militarizada e de essência socialista. A partir de 1970, o governo decreta a expulsão dos efetivos militares estrangeiros, a nacionalização das empresas, dos bancos e dos recursos petrolíferos. Essas medidas tomadas para desenvolvimento social, econômico e cultural do pais causou conflitos com os EUA e países árabes moderados.

A crescente poder econômico permitiu à Líbia aumentar seu poderio militar. Assim como o Egito, participou da Guerra do Yom Kippur contra Israel. Aprofundou o conflito diplomático com os EUA, ao criar embargo à venda de petróleo para países que apóiam Israel. Aliou-se à Síria, dando apoio à Organização para a Libertação da Palestina (OLP).

Durante a década de 1980, se aproximou da URSS e o embargo norte-americano ao petróleo líbio contribuiu para seu isolamento diplomático. Na década seguinte, melhora nas relações internacionais, principalmente com países árabes vizinhos. Adota uma posição moderada em conflitos, como a Guerra do Golfo entre Iraque, Ira e Kuait. O que não impede a criação, em 1992 , da zona de exclusão aérea, por resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas, e sofrido pesados embargos ao comércio líbio.

Em 1993 a Líbia rompeu relações com o Irã, reagindo contra o crescimento do fundamentalismo islâmico. As relações com os palestinos se deterioraram, à medida que estes se mostraram dispostos a negociar uma paz com Israel.

A Líbia é um dos países mais ricos da África, 95% das exportações e 30% do PIB provem da venda do petróleo. Sua baixa densidade demográfica (3,15 hab./km2) contribui para seu alto Índice de Desenvolvimento Humano (0 755). Mas isso não se reflete na qualidade de vida da população.

Assim como no Egito, influenciados pela Revolta de Jasmim, a população começa a protestar contra o regime de Muammar Gadafi em 15 de Fevereiro. Os Comitês Revolucionários reprimem com violência as manifestações, e acusam as redes de televisão de incentivarem o conflito e divulgar noticias inverídicas.

Na ONU, países ocidentais pedem a criação de uma nova zona de exclusão aérea e ajuda humanitária. O ataque das forças de apoio a Gadafi aos civis mobilizam países para ataque militar na Líbia. EUA, França e Grã-Bretanha começam bombardeio – 18 de março. Mas divergem em relação ao comando da operação. Para a Itália e Grã- Bretanha a OTAN deve comandar as ações. Já a França quer o comando, por ter conseguido o apoio inicial da Liga Árabe. E os EUA preferem uma liderança franco-inglesa. Liga Árabe não concorda com liderança da OTAN e alega “perda de foco humanitário”. Itália, Alemanha, Turquia e Rússia também se opõem à ofensiva.

“Analistas de segurança temem que o poderio aéreo ocidental possa decapitar o comando militar de Trípoli, mas não propicie uma vantagem decisiva para os rebeldes, causando uma guerra civil prolongada e fragmentando o país. Enquanto isso, áreas sem governo oficial podem se tornar santuários para a Al-Qaeda e outros grupo de militantes islâmicos existentes.” O risco é que a zona de exclusão aérea se torne uma cobertura para uma guerra civil crescente". (Jornal Valor Econômico 21/03/2011)

Leia as reportagens: 






Informaçoes Adicionais!

Liga Árabe
Organização de estados árabes fundada em 1945 no Cairo, com o objetivo de reforçar e coordenar os laços econômicos, sociais, políticos e culturais entre os seus membros, assim como mediar disputas entre estes. Totaliza 22 países e 200 milhões de habitantes. 
(FONTE: http://www.tendarabe.com/conteudo/liga-arabe)

Organização do Tratado do Atlântico Norte - OTAN
Organização militar foi criada em 1949, no contexto da Guerra Fria, pelos países capitalistas, em oposição ao bloco socialista, que, poucos anos depois contrapôs o Pacto de Varsóvia, aliança militar do leste europeu.
Os estados signatários do tratado estabeleceram um compromisso de cooperação estratégica em tempo de paz e contraíram uma obrigação de auxílio mútuo em caso de ataque a qualquer dos países-membros.
Com o fim da URSS em 1989, surgiu a necessidade de redefinição do papel da OTAN no contexto da nova ordem internacional. A organização dedicou-se a política de segurança de toda a Europa e América do Norte. Assim, começou a tratar-se do alargamento a leste, o que desagradou à Rússia ao ver afastar-se da sua esfera de influência.
Após os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, foi criado, em maio de 2002, o Conselho OTAN-Rússia

Primavera Árabe - Egito

O Egito é o pais mais populoso da Africa, com 80 milhões de habitantes. Destes, 90% são islamicos sunitas e 40% vivem nas cidades.

Alta densidade demográfica nas cidades próximas ao Rio Nilo – Porto Siad, Alexandria e Cairo.

A constante migração do campo para cidade contribui para o aumento da pobreza, dos problemas com saneamento básico, desemprego e poluição.

As principais atividades economicas do pais são a agricultura, a produçao do petroleo, a exploraçao do Canal do Suez e o turismo.

O Egito obteve sua independência da Inglaterra em 1922, dando lugar à uma monarquia parlamentarista. Em 1953, um movimento nacionalista fez a proclamação da República.

Logo em 1956 o Egito nacionalizou o canal do Suez, dando origem a um conflito contra a França, Inglaterra e Israel. O conflito foi solucionado com intervenção norte-americana e soviética, o que originou uma proximidade entre o Egito e os EUA, que se fortaleceu nos anos 1970. Essa relação foi importante também na Guerra do Yom Kippur, em 1973, contra Israel. O conflito acabou com a assinatura de um tratado de paz. Desde então os dois Estados eram os principais pontos de influência norte-americana no Oriente Médio e África.

Em 1981, Hosni Mubarak assume a presidência e implanta a ditadura. Nos últimos anos, porém, a insatisfação contra a corrupção do regime, contra a falta de liberdade política e de opinião, o desemprego e a pobreza cresceram, e no começo de 2011 resultaram numa revolta que culminou com a deposição do presidente.

Essa revolução teve suas raízes no Movimento Egípcio pela Mudança, lançado em 2003, por lideranças políticas e intelectuais. Esse movimento tomou força com a influencia da Revolução de Jasmim, ocorrida também no começo de 2011 na Tunísia, na qual protestos populares depuseram o governante em poucos dias. No Egito, as forças de oposição foram formadas pela Associação Nacional para a Mudança - que reúne partidos opositores à Mubarak e outros grupos como o movimento jovem de 6 de Abril- e a Irmandade Muçulmana, grupo religioso radical.

As manifestações, combinadas através de redes sociais, exigiam a renuncia de Mubarak, reformas políticas e econômicas, a realização de eleições limpas e a dissolução do Parlamento.

Governo reprimiu as manifestações, impôs toque de recolher, e cortou os canais de comunicação. Verificando a ineficiência dessas medidas, e o fortalecimento do movimento, o governo anunciou reformas pra tenta conter revolta: nomeação de vice-presidente, novo primeiro ministro e novo parlamento; e a realização de novas eleições em setembro. 

Tentou iniciar dialogo com oposição, ao menos tempo, intensificou repressão e manifestações se tornaram cada vez mais violentas. A opinião publica negativa cresceu em razão das prisões e repressões, e a comunidade internacional pressionou o governo para adotar reformas.

A crise era assistida com apreensão, por havia o risco do surgimento de um governo autocrático fundamentalista, à exemplo do Irã. O apoio recebido da Arábia Saudita e da Autoridade Palestina contribuem para o afastamento com os EUA, que inicialmente pedia uma transição em ordem, e posteriormente retirou totalmente o apoio ao governo de Mubarak. O maior risco é que o Egito se torne um estado anti-EUA e anti-Israel, o que tornaria a região mais instável politicamente. Com relação aos impactos econômicos, o preço do petróleo poderia ser bastante afetado, uma vez que o Egito é um grande produtor.

Outros fatores importantes para queda do ditador foi a falta de apoio do novo parlamento, o fortalecimento dos lideres de oposição junto à opinião publica e a aproximação da oposição com o Exercito.

Em 11 de fevereiro, Mubarak renuncia ao poder e deixa pais sob controle do Exercito. A revolta deixou 365 mortos e ocasionou a prisão de ex-ministros acusados de corrupção.

Para entender melhor o conflito no Egito, leia a Cobertura completa.

Leia também esta reportagem: Como nasce uma democracia.

Pesquise!

O que foi a Guerra do Suez? E a Guerra do Yom Kippur?
Por que a aproximação com os EUA? Qual a importância politica dessa aliança para ambos os países?